O primeiro violão: como escolher o instrumento certo sem cair em armadilhas
Comprar o primeiro violão parece simples: você entra numa loja, escolhe o mais bonito dentro do orçamento e leva para casa. Mas essa abordagem é justamente o que faz tanta gente desistir nas primeiras semanas. Um violão que não se encaixa no seu corpo, que machuca os dedos ou que desafina a cada cinco minutos não é um instrumento — é um obstáculo. A escolha certa não tem a ver com estética ou preço, mas com três fatores objetivos: o tipo de corda, o tamanho do corpo e a qualidade mínima de construção. Acertar nesses pontos pode significar a diferença entre descobrir uma paixão e abandonar o instrumento no canto do quarto.
Cordas de aço ou nylon: o que funciona para você?

A primeira grande decisão é também a que mais gera confusão. Iniciantes ouvem que violão de aço é "de verdade", que tem som mais bonito, que é o que os profissionais usam. E compram um instrumento que exige tanta força nos dedos que desistem em duas semanas. A realidade é mais sutil.
Por que o nylon é mais amigável para iniciantes
Cordas de nylon são feitas de um material sintético que exige menos pressão dos dedos para produzir som. Para alguém que nunca tocou, isso significa menos dor, menos bolhas e mais chances de praticar por mais tempo sem desconforto. Um professor de violão com quem conversei, que atende iniciantes há 15 anos, diz que recomenda nylon para os primeiros seis meses em 90% dos casos. "O aluno que começa com aço e não tem resistência nos dedos geralmente para de tocar na terceira semana", ele conta. "Já com nylon, a maioria chega ao terceiro mês ainda motivada."
O som do nylon é mais suave, com menos sustain — aquela cauda que faz a nota continuar soando depois que você toca. Para estilos como MPB, bossa nova, samba e música clássica, é o timbre ideal. Mas se você sonha em tocar pop, folk ou rock, pode sentir falta de volume e brilho.
Quando o aço pode ser uma boa escolha desde o início
Violões de aço não são intrinsecamente ruins para iniciantes. O problema é que a maioria dos modelos baratos vem com uma ação — a distância entre as cordas e os trastes — muito alta. Isso significa que você precisa apertar as cordas com mais força, o que causa dor e cansaço rápido. Mas existem violões de aço com ação baixa, onde o cavalete foi rebaixado e as cordas ficam mais próximas dos trastes. Nesses casos, o conforto pode se aproximar do nylon.
A vantagem do aço é a projeção: o som é mais alto, mais brilhante e com mais sustain. Para quem já toca outro instrumento de corda (como violão clássico ou cavaquinho) ou tem dedos naturalmente fortes, pode ser uma escolha viável desde o início. Um amigo meu, engenheiro que mexia com ferramentas o dia inteiro, começou direto com aço e não sentiu dificuldade. Mas ele é a exceção, não a regra.
O mito do "violão de aço é melhor" e a verdade sobre a ação das cordas
A ideia de que violão de aço é superior vem do fato de que a maioria dos shows e gravações usa esse tipo. Mas isso não tem nada a ver com facilidade de aprendizado. Músicos profissionais têm anos de prática e calos nos dedos; para eles, aço é natural. Para um iniciante, a comparação é injusta.
O que realmente importa é a ação. Um violão de nylon com ação alta pode ser tão desconfortável quanto um de aço mal regulado. E um violão de aço com ação baixa, bem ajustado, pode ser surpreendentemente macio. O problema é que violões baratos raramente vêm com ação baixa de fábrica. E ajustar a ação depois custa entre R$ 80 e R$ 150 em uma oficina de luthieria.
| Característica | Cordas de nylon | Cordas de aço |
|---|---|---|
| Conforto para iniciantes | Alto (menos pressão) | Baixo a médio (depende da ação) |
| Som | Suave, aveludado, menos sustain | Brilhante, alto, mais sustain |
| Estilos indicados | MPB, bossa nova, samba, clássico | Pop, folk, rock, sertanejo |
| Custo de manutenção | Mais barato (cordas duram mais) | Mais caro (cordas enferrujam) |
| Facilidade de aprender acordes | Maior | Menor (exige mais força) |
Alerta: Não compre um violão de aço só porque o vendedor disse que é "melhor". Pergunte pela altura das cordas no 12º traste. Se não couber um cartão de crédito entre a corda e o traste, o conforto será razoável. Se couber um dedo, fuja.
O tamanho certo para o seu corpo (e não para a sua idade)
Outro erro clássico: adultos compram violão tamanho inteiro porque acham que é o único que serve. Crianças pequenas ganham violões 3/4 ou 1/2. Mas a lógica é outra: o tamanho do violão deve ser proporcional ao seu tronco e ao comprimento dos seus braços, não à sua idade.
Como medir o comprimento dos braços e a altura do tronco
Sente-se em uma cadeira sem braços, com as costas retas. Coloque o violão no colo, como se fosse tocar. O braço esquerdo (para destros) precisa envolver o braço do violão sem que você force o ombro para trás ou incline o tronco. Se você precisar esticar demais o braço ou curvar as costas para alcançar a mão no braço, o violão é grande demais.
Uma medida prática: sentado, meça a distância entre o centro do seu peito e a ponta dos dedos da mão esquerda estendida. Essa distância deve ser aproximadamente igual ao comprimento do braço do violão (da pestana até o corpo). Se for menor, o violão é grande demais.
Tamanhos de violão: 1/2, 3/4, 7/8 e inteiro – para quem cada um serve
Os tamanhos seguem uma lógica de proporção, mas não são padronizados entre marcas. Um violão 3/4 de uma marca pode ter o mesmo tamanho que um 7/8 de outra. Por isso, o melhor é testar.
- 1/2: Para crianças de 4 a 7 anos. Mas a oferta de qualidade é baixíssima. Muitos violões 1/2 têm ação alta e som abafado. Uma alternativa é começar com um ukulele, que é menor, mais barato e mais fácil.
- 3/4: Para crianças de 7 a 11 anos e adultos muito baixos (até 1,50m). Perde volume e graves, mas ganha conforto.
- 7/8: Para adultos de até 1,65m ou com braços curtos. É o tamanho mais negligenciado, mas pode ser a escolha ideal para quem se sente desconfortável com o inteiro.
- Inteiro (4/4): Para adultos acima de 1,65m com braços de comprimento médio ou longo. É o padrão, mas não é obrigatório.
Violões de corpo menor com boa projeção: a opção parlor e outros
Existe uma categoria de violões de corpo menor que não perde tanta projeção: os chamados parlor (ou salão). Eles têm o corpo mais estreito e o braço mais curto, mas ainda assim produzem som razoável. São uma opção para adultos que querem conforto sem sacrificar totalmente o volume. Marcas como Tagima e Giannini têm modelos parlor na faixa dos R$ 500 a R$ 800.
| Altura do adulto | Tamanho recomendado | Observações |
|---|---|---|
| Até 1,50m | 3/4 ou 7/8 | Teste o conforto do braço esquerdo |
| 1,50m a 1,65m | 7/8 ou inteiro (depende do braço) | Parlor pode ser boa alternativa |
| 1,65m a 1,80m | Inteiro (4/4) | Padrão, mas teste mesmo assim |
| Acima de 1,80m | Inteiro (4/4) | Braços longos geralmente não têm problema |
Checklist para testar o encaixe:
- Sente-se com o violão no colo, costas retas.
- O braço esquerdo envolve o braço do violão sem forçar o ombro?
- A mão esquerda alcança a pestana (primeira casa) sem esticar demais?
- O corpo do violão fica apoiado no seu peito sem inclinar o tronco?
- Você consegue ver a mão esquerda sem abaixar a cabeça?
Quanto gastar no primeiro violão sem jogar dinheiro fora
Aqui a tentação é grande: "Vou comprar um de R$ 150 para ver se gosto." Esse raciocínio parece lógico, mas é o caminho mais rápido para a frustração. Um violão muito barato não é apenas de qualidade inferior — ele é ativamente prejudicial ao aprendizado.
A faixa de preço que garante qualidade mínima (R$ 400-600)
Com R$ 400 a R$ 600, você encontra violões de marcas como Giannini, Strinberg e Tagima que têm construção razoável: braço reto, tarraxas que seguram a afinação, ação ajustável. Não são instrumentos excepcionais, mas cumprem a função de permitir que você aprenda sem sofrer.
Nessa faixa, o tampo geralmente é de pinho ou cedro laminado (não maciço), o que significa que o som não vai evoluir com o tempo como um violão de tampo maciço. Mas para um iniciante, isso é irrelevante. O que importa é que o instrumento seja tocável.
O que você NÃO deve comprar: violões abaixo de R$ 300 e kits de acessórios
Violões abaixo de R$ 300 são, na maioria dos casos, fabricados com madeira de baixa qualidade que empena com facilidade, tarraxas que desafinam sozinhas e ação altíssima. Um professor me contou o caso de um aluno que comprou um violão de R$ 200: "Na primeira semana, ele já estava frustrado porque o instrumento não segurava afinação por mais de 10 minutos. Ele pensou que era incompetência dele. No fim, desistiu."
Os kits que vêm com violão, capa, afinador, palhetas e cordas extras parecem um bom negócio, mas geralmente são armadilhas. A capa é fina e não protege, o afinador é impreciso, as palhetas quebram. Você acaba pagando R$ 50 a R$ 100 a mais por acessórios que teria que substituir em um mês.
Exceções: marcas que entregam bom custo-benefício nessa faixa
Dentro dos R$ 400-600, alguns modelos se destacam:
- Giannini G-1 (nylon): Clássico, confiável, som equilibrado. Cerca de R$ 450.
- Strinberg S-1 (aço): Ação razoável, bom para quem quer começar com aço. Cerca de R$ 500.
- Tagima T-635 (nylon): Construção sólida, braço confortável. Cerca de R$ 550.
- Eagle E-100 (nylon): Modelo básico, mas consistente. Cerca de R$ 400.
| Faixa de preço | O que esperar | Exemplos de modelos |
|---|---|---|
| Até R$ 300 | Ação alta, tarraxas ruins, madeira que empena | Evite |
| R$ 400-600 | Construção razoável, tocável, som mediano | Giannini G-1, Strinberg S-1, Tagima T-635 |
| R$ 600-900 | Melhor acabamento, tampo maciço em alguns modelos | Giannini G-2, Tagima T-735 |
| Acima de R$ 900 | Tampo maciço, som mais rico, maior durabilidade | Yamaha C40, Di Giorgio |
Depoimento de um professor: "Já vi aluno desistir porque o violão de R$ 150 não segurava afinação por mais de 10 minutos. Ele achava que o problema era ele. Não era. Era o instrumento."
Como testar um violão na loja (mesmo sem saber tocar)
Você não precisa ser músico para identificar um violão problemático. Existem testes simples que qualquer pessoa pode fazer em cinco minutos.
Verificando o empenamento do braço: o teste visual e tátil
Segure o violão na horizontal, com o braço na altura dos olhos. Olhe ao longo do braço, como se estivesse mirando uma linha reta. O braço deve estar perfeitamente reto, sem curvaturas para cima ou para os lados. Se houver uma leve curvatura para cima (chamada "alívio"), é normal e até desejável. Mas se o braço estiver torto para os lados, ou se houver uma curvatura acentuada, o violão tem um problema estrutural que não será corrigido com regulagem.
Passe o dedo ao longo dos trastes, do primeiro ao último. Eles devem estar nivelados, sem pontas que arranhem a mão. Trastes gastos ou desnivelados causam trastejamento (aquele som de "zzz" quando você toca uma nota).
Medindo a altura das cordas no 12º traste (sem régua, com o dedo)
O 12º traste é o ponto médio do braço. A distância entre a corda e o traste nesse ponto determina a ação. Para um teste rápido, use um cartão de crédito. Ele deve passar entre a corda e o traste sem forçar. Se o cartão não passar, a ação está muito baixa (pode causar trastejamento). Se passar com folga, a ação está alta (vai exigir mais força).
Para cordas de nylon, a altura ideal no 12º traste é de cerca de 3 a 4 mm na corda mais grave (6ª) e 2 a 3 mm na mais aguda (1ª). Para aço, um pouco menos: 2 a 3 mm na 6ª e 1,5 a 2 mm na 1ª.
Testando a estabilidade da afinação e as tarraxas
Toque cada corda solta e veja se o som é limpo, sem trastejamento. Depois, pressione cada corda em vários trastes e veja se o som continua limpo. Se houver trastejamento em algum ponto, o braço pode estar empenado ou os trastes desnivelados.
Gire as tarraxas. Elas devem se mover suavemente, sem folga ou resistência excessiva. Se uma tarraxa estiver frouxa ou dura, pode ser um problema crônico.
O que fazer se o violão estiver desregulado: pedir ajuste ou trocar
Muitos violões novos saem de fábrica com a ação alta. Isso não significa que o instrumento seja ruim — significa que precisa de regulagem. Pergunte ao vendedor se a loja faz regulagem básica (ajuste do tensor do braço e do cavalete). Algumas lojas oferecem esse serviço gratuitamente na compra. Se não oferecerem, considere o custo de uma regulagem (R$ 80 a R$ 150) no orçamento.
Checklist para testar na loja:
- Olhe o braço de lado: está reto?
- Passe o dedo nos trastes: estão nivelados?
- Cartão de crédito no 12º traste: passa sem forçar?
- Toque cada corda solta: som limpo?
- Pressione cada corda em vários trastes: sem trastejamento?
- Gire as tarraxas: suaves e firmes?
Loja física ou online: onde comprar com segurança
Cada canal tem vantagens e desvantagens, e a escolha depende do seu nível de conhecimento e da sua disposição para testar.
Vantagens da loja física: testar antes, sentir o peso, negociar regulagem
Nada substitui pegar o violão na mão. Você sente o peso, testa o encaixe no corpo, verifica a ação e ouve o som. Além disso, em lojas físicas você pode negociar: peça para o vendedor ajustar a ação ou trocar as cordas antes de levar. Muitas lojas fazem isso de graça.
O problema é que lojas físicas costumam ter preços mais altos e estoque limitado. E o vendedor pode tentar empurrar um modelo mais caro ou inadequado.
Quando a loja online é uma boa opção: política de troca, assistência técnica, cupons
Comprar online pode ser mais barato, especialmente em sites como Mercado Livre, Amazon ou lojas especializadas como Multisom e Play Music. Mas o risco é maior: você não testa o instrumento antes. Para minimizar, escolha lojas com política de troca clara (pelo menos 7 dias) e assistência técnica. Peça informações sobre a regulagem de fábrica: alguns vendedores permitem solicitar "ação baixa" na hora da compra.
Outra vantagem: cupons de desconto e frete grátis podem reduzir o custo. Mas lembre-se de que o frete para violão é caro (R$ 30 a R$ 80) e o instrumento pode chegar com problemas de transporte.
Cuidados ao comprar usado: o que inspecionar e quando pedir ajuda de um profissional
Violões usados de marcas tradicionais (Di Giorgio, Giannini antigos, Yamaha) podem ser excelentes negócios — desde que estejam bem conservados. Mas os riscos são grandes: empenamento, trastes gastos, rachaduras no tampo, problemas na regulagem.
Se for comprar usado, peça para ver o violão pessoalmente. Leve um amigo que toque ou, melhor ainda, um luthier ou professor. Eles identificam problemas que você não vê. Se não for possível, peça fotos detalhadas: braço de lado, trastes, cavalete, tarraxas, tampo (procure rachaduras).
| Característica | Loja física | Loja online |
|---|---|---|
| Preço | Geralmente mais alto | Pode ser mais baixo |
| Possibilidade de testar | Sim | Não |
| Garantia | Imediata (troca na loja) | Depende da política |
| Risco de problemas | Menor (você testa) | Maior (não testa) |
| Regulagem inclusa | Às vezes negociável | Raramente |
Relato de um músico: "Comprei um Giannini usado dos anos 80 por R$ 300 depois de um luthier avaliar. O som era incrível. Um amigo comprou um 'achado' no OLX sem ver pessoalmente e veio com o braço empenado. Pagou R$ 200 e depois gastou R$ 400 para tentar consertar."
Acessórios essenciais (e os que você pode deixar para depois)
A compra do violão não termina no instrumento. Alguns acessórios são indispensáveis; outros são desperdício de dinheiro.
O que comprar junto com o violão: afinador, capa, palhetas, cordas extras
- Afinador cromático: Essencial. Você pode usar um app de celular (gratuito), mas um afinador digital de bolso (R$ 20 a R$ 40) é mais preciso e não gasta bateria do celular.
- Capa: Protege o violão de poeira, umidade e impactos. Invista em uma capa acolchoada (R$ 50 a R$ 100). As capas finas de kit não protegem.
- Palhetas: Compre um pacote com espessuras variadas (0.46 mm, 0.71 mm, 0.96 mm). Custa R$ 5 a R$ 10.
- Cordas extras: Um jogo extra de cordas (R$ 15 a R$ 30) é útil para quando uma corda arrebentar — o que acontece com frequência nos primeiros meses.
O que evitar: kits com acessórios de baixa qualidade, suportes caros, sistemas elétricos em violões baratos
Kits promocionais parecem econômicos, mas os acessórios são tão ruins que você vai precisar substituí-los rapidamente. A capa fina não protege, o afinador é impreciso, as palhetas quebram. Você acaba gastando mais no total.
Suportes de parede ou de chão são úteis, mas não essenciais no início. Deixe para comprar depois de alguns meses, quando você já estiver tocando regularmente.
Violões eletroacústicos (com captador e pré-amplificador) são tentadores, mas em modelos baratos (até R$ 800), o sistema elétrico é de baixa qualidade, o som amplificado é ruim e o custo extra (R$ 100 a R$ 200) não vale a pena. Só compre se você realmente pretende tocar em público nos primeiros meses.
Custo de manutenção: troca de cordas, regulagem, umidificador
Manter um violão tem custos recorrentes. Cordas de nylon duram de 3 a 6 meses; as de aço, de 1 a 3 meses (enferrujam mais rápido). Um jogo de cordas custa entre R$ 15 e R$ 50, dependendo da marca.
A regulagem (ajuste do tensor do braço e do cavalete) deve ser feita a cada 6 meses ou sempre que o violão começar a trastejar. Custa de R$ 80 a R$ 150 em uma oficina.
Se você mora em região muito seca (como Brasília ou o interior de São Paulo), um umidificador de violão (R$ 20 a R$ 40) ajuda a evitar rachaduras no tampo.
| Acessório | Necessidade | Faixa de preço | Dica |
|---|---|---|---|
| Afinador cromático | Essencial | R$ 20-40 | Compre digital, não de apito |
| Capa acolchoada | Essencial | R$ 50-100 | Evite capas finas de kit |
| Palhetas | Essencial | R$ 5-10 | Compre pacote com 3 espessuras |
| Cordas extras | Recomendado | R$ 15-30 | Tenha um jogo reserva |
| Suporte | Opcional | R$ 30-80 | Compre depois de 3 meses |
| Umidificador | Recomendado (clima seco) | R$ 20-40 | Essencial em regiões áridas |
| Sistema elétrico | Evite em modelos baratos | R$ 100-200 extra | Só se for tocar em público |
Checklist do que comprar no primeiro mês:
- Afinador cromático (ou app)
- Capa acolchoada
- 3 palhetas de espessuras diferentes
- 1 jogo extra de cordas
O que comprar depois de 3 meses:
- Suporte (se estiver tocando muito)
- Umidificador (se o clima for seco)
- Cordas de reposição (já vai ter gasto o primeiro jogo extra)
Erros comuns que fazem iniciantes desistirem (e como evitá-los)
Cada erro listado aqui é baseado em histórias reais de alunos, amigos e músicos que começaram e desistiram. Reconhecê-los antes de comprar pode poupar frustração e dinheiro.
Achar que violão de aço é "melhor" porque é usado em shows
Um rapaz de 19 anos entrou em uma loja e comprou um violão de aço porque "os profissionais usam". Em duas semanas, seus dedos estavam doloridos e ele não conseguia tocar um acorde limpo. Ele desistiu no primeiro mês. Se tivesse começado com nylon, teria tido uma experiência completamente diferente.
Como evitar: Se você nunca tocou, comece com nylon. Se insistir em aço, teste o conforto antes de comprar. Peça para alguém que toca experimentar o violão e ver se a ação está baixa.
Comprar o violão mais bonito ou mais barato sem testar
Uma moça viu um violão azul elétrico em uma loja online e comprou sem pensar. Quando chegou, o braço estava empenado e as cordas estavam a 5 mm do braço. Ela tentou tocar por uma semana e desistiu. O violão bonito era um peso de papel.
Como evitar: Beleza não toca. Teste o violão antes de comprar, ou compre em loja com política de troca. Se for online, peça fotos detalhadas e informações sobre a ação.
Ignorar a necessidade de regulagem e achar que todo violão novo está pronto
Muitos violões novos saem de fábrica com ação alta. O comprador acha que o problema é ele, que não está apertando as cordas direito. Na verdade, o instrumento precisa de ajuste.
Como evitar: Pergunte ao vendedor se o violão já foi regulado. Se não, considere levar a um luthier para uma regulagem básica (R$ 80 a R$ 150). Pode transformar um violão mediano em um instrumento agradável.
Acreditar que tamanho inteiro é o único para adultos
Um homem de 1,60m comprou um violão inteiro porque "todo adulto usa". Ele sentia dor nas costas depois de 20 minutos tocando. Só depois de meses descobriu que um violão 7/8 teria sido mais confortável.
Como evitar: Meça seu tronco e braços. Teste tamanhos diferentes na loja. Não tenha vergonha de usar um violão menor.
Não considerar o custo de manutenção no orçamento inicial
Um iniciante gastou R$ 500 no violão, mas não comprou cordas extras. Quando a primeira corda arrebentou, ele não tinha reserva e ficou uma semana sem tocar. Depois, comprou cordas de R$ 10 que desafinavam em minutos.
Como evitar: Inclua no orçamento inicial: R$ 400-600 para o violão, R$ 50-100 para acessórios essenciais e R$ 30-50 para um jogo extra de cordas. A manutenção mensal (cordas, regulagem) custa cerca de R$ 20-30 por mês.
Checklist do que fazer antes de comprar:
- Defina o tipo de corda: nylon para conforto inicial, aço se já tem resistência ou prefere som mais brilhante
- Meça seu tronco e braços para escolher o tamanho certo (não confie só na idade)
- Estabeleça um orçamento mínimo de R$ 400-600 para garantir qualidade
- Teste o violão na loja: verifique empenamento, altura das cordas no 12º traste, estabilidade da afinação
- Se comprar online, escolha loja com política de troca e assistência técnica
- Compre apenas os acessórios essenciais: afinador, capa, palhetas, cordas extras
- Considere o custo de manutenção (troca de cordas, regulagem) no orçamento
- Se for comprar usado, peça avaliação de um luthier ou professor
- Evite kits de acessórios de baixa qualidade e violões eletroacústicos muito baratos
- Lembre-se: um violão adequado é o que você vai querer pegar todos os dias
Perguntas frequentes
Qual a real diferença entre cordas de aço e nylon para um iniciante? Nylon é mais macio e menos agressivo para os dedos, ideal para quem está começando. Aço exige mais força, mas oferece som mais brilhante e maior projeção. Violões de aço com ação baixa podem ser confortáveis, mas o nylon ainda é a escolha mais segura para os primeiros meses.
Como saber o tamanho de violão certo para minha altura e idade? Meça o comprimento dos braços e a altura do tronco. Para adultos de até 1,65m, violões 3/4 ou 7/8 podem ser mais confortáveis. Acima disso, o tamanho inteiro é o padrão. Crianças até 7 anos podem precisar de 1/2, mas a oferta de qualidade é baixa; um ukulele pode ser alternativa.
Qual o orçamento mínimo para um violão que não atrapalhe o aprendizado? O ideal é gastar entre R$ 400 e R$ 600. Abaixo disso, os violões costumam ter ação alta, tarraxas ruins e madeira que empena, dificultando o aprendizado. Marcas como Giannini, Strinberg e Tagima oferecem bons modelos nessa faixa.
O que devo verificar ao testar um violão na loja? Verifique o empenamento do braço (olhe de lado), a altura das cordas no 12º traste (deve caber um cartão de crédito), a estabilidade da afinação (toque cada corda e veja se segura) e a firmeza das tarraxas. Se possível, peça para alguém tocar para você ouvir o som.
Vale a pena comprar violão usado? Quais os riscos? Sim, se for de marca tradicional (Di Giorgio, Giannini antigos) e estiver bem conservado. Os riscos são empenamento, trastes gastos, rachaduras e problemas na regulagem. Sempre peça avaliação de um luthier ou professor antes de comprar.
Devo comprar online ou em loja física? Loja física permite testar e sentir o instrumento, ideal para iniciantes. Online pode ser mais barato, mas exige política de troca e assistência técnica. Se optar por online, pesquise avaliações da loja e peça informações sobre regulagem de fábrica.
Quais acessórios são realmente necessários na compra? Afinador cromático (ou app), capa para proteção, palhetas de diferentes espessuras e um jogo extra de cordas. Evite kits com acessórios de baixa qualidade. Violões eletroacústicos só valem a pena se você pretende tocar em público.